domingo, 16 de junho de 2013

Ah, o amor... (parte 11 de...)




Um olhar diferente, antes inexistente, despercebido. Um carinho especial. A necessidade de aproximação. A vontade de sentir um cheiro, um gosto, um toque. O querer do inacabável. Um profundo calafrio na alma. Um convite para o riso, para a gostosura da emoção, dos sentidos. A pureza. A repetição alegre de um dia memorável, em outros.
Uma declaração intensa. A majestade do possuir alguém admirável, por quem se move interminável um coração.

Polandesamente falando: tudo começa e termina no amor.

sábado, 8 de junho de 2013

Novas velhas mães




 
Mais mulheres estão deixando seus filhos aos cuidados de outras. Continuar trabalhando e contribuir, em parte, para o sustento da casa por necessidade ou mesmo realização pessoal é um presente cada vez mais comum. Se você trabalha ou tem um número considerável de conhecidos, se recorda de pelo menos um caso nessas condições.

Novas mães deixam filhos por inúmeras razões. Ficam em creches, vizinhos e, na maioria das vezes, no lar dos avós. 


Se esses fatos tornarem-se cíclicos, os próximos 20 ou 30 anos farão do significado “mãe” um outro momento na vida do sexo feminino. As procriadoras só o serão na terceira idade. Nesse futuro momento concederão suas vidas, se doarão em prol da cria. O amor terá seu tempo maternal necessário para propagação intensa. 

Essa nova causa traz um efeito grande: a educação familiar efetiva prejudicada. Por um lado as avós experientes têm um conhecimento maior da vida e poderão de forma mais assertiva transmitir um viver incrementado em detalhes; por outro, estão em uma idade em que passaram por muitas emoções, frustrações e que se sentem com o “trabalho” concluído, ou seja, já tiveram e criaram seus pequenos, e hoje o momento em que vivem deveria ser proveito do que a vida lhes oferece de melhor. Com isso talvez a mesma educação que tentaram dar aos filhos quando mães, não será a mesma que proporcionarão aos netos. 

Não se trata de uma regra para encontrarmos o perfeito educador, mas de um comportamento novo que trará conseqüências ao modo de vida desses jovens. Será que essa falta de atenção e direcionamento por quem os teve não afetará suas emoções ao longo do aprendizado, criando, talvez, uma distância entre a família? Será que esses pais “ausentes” terão o mesmo respeito, admiração e confiança de seus filhos, do que, porventura seus avós que de fato os criaram?



Polandesamente falando: não importa de onde vem as regras da vida, o ser humano precisa sim de verdadeiros pais.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Desconhecido distante



No curto e definido destino surge o desconhecido. O onde e o quando alimentam a viagem no incontrolável tempo. Os quilômetros mudam, as características de cada local e pessoa diferem-se, mas o conceito do viver é o mesmo. Percorrer.

Sinuoso, rápido ou moroso. Trajetórias que anseiam pegadas de distintos tamanhos e formatos, compassos únicos, mas tendo sempre a mesma necessidade, o finito porvindouro.


Polandesamente falando: a essência da vida está em cada distância já descoberta.


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Branco no branco





Comprar uma casa. Arrumar um namorado. Comprar um carro. Emagrecer. Arranjar um emprego melhor. Ter um filho. Ter mais um filho. Mudar de casa. Se aposentar. Ser promovido. Casar. Casar de novo. Se separar. Se separar de novo. Pintar um quadro. Fazer um cruzeiro. Escrever um livro. Escrever mais um. Contar uma piada para o guarda real Inglês. Fazer um bolo de aniversário para sua mãe. Aprender a andar de bicicleta. Comer mais salada. Andar de avião pela primeira vez. Ganhar na loteria. Conhecer o mundo inteiro. Conhecer a Europa. Conhecer o Brasil. Conhecer São Paulo. Reciclar mais lixo. Adotar um filhote abandonado. Passar de ano. Fazer mais exercícios. Aprender a nadar. Passar no vestibular. Comprar uma guitarra. Parar de fumar. Não jogar mais lixo na rua. Deixar o cabelo crescer. Comprar uma peruca. Gravar um clipe. Ganhar um sobrinho. Fazer uma tatuagem. Salvar um animal.  Salvar a si mesmo. Ver sua irmã casar. Ver seus pais casados por trinta e tantos anos. Ter um jantar romântico com a namorada. Jantar com um desconhecido. Jantar. Pedir carona na estrada. Fugir. Tirar 10 na prova de matemática. Conhecer o mar. Não esquecer o papel higiênico na viagem. Ajudar uma velhinha a atravessar a rua. Pichar o muro das lamentações. Fazer “cuecão” num lutador de sumô. Grudar um chiclete no cabelo do Slash. Grudar um chiclete no cabelo do Roberto Carlos. Fazer bunda lê lê no Palácio do Planalto. Pintar um bigode na Monalisa. Pular corda com os Sete Anões. Fazer um omelete com um ovo de Páscoa. Assistir  todos os O Senhor dos Anéis e Harry Potter em sequência. Dar rasteira no Saci. Tomar um litro de água benta. Beijar uma freira. Beijar. Plantar uma árvore. Plantar várias...

Promessas e crenças. Essas duas palavras movem os últimos 10 segundos do ano e os primeiros do que está chegando. São nestes pequenos momentos que cada um de nós deseja, como nunca; ávidos pela nova vida. Que esses sonhos perdurem no encanto do infinito e tragam, sempre, a felicidade.

Polandesamente falando: que no ano do 13 você consiga o que quer, seja quem quer ser. Não importa a forma e o como.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Variantes gastronômicas





Apertou com tanta vontade causando-lhe quase biópsia. ‘Esse tá muito  queimado’ – disse a si, devolvendo-o para a garçonete. Continuou pela larga vitrine analisando minuciosamente todas as opções. Pareciam tão iguais. Teria que escolher o mais apetitoso.
Seu dedo ansiava por destruição. Enfiou o largo polegar na maciez enquanto a garçonete o reprimia mortalmente com os olhos. ‘Hum, acho que tá perfeito... Vou levar’ – disse sorrindo. ‘Ah, vai mesmo!’ – pensou ela ao mesmo tempo que embalava o doce.
- O de sempre, Sr. Lobato? – perguntou a caixa
- Não, hoje vou experimentar o amarelinho - disse, o senhor, sorrindo
- Vinte e três reais.
- Quanto?
- Vinte e três reais – repetiu bondosamente
- Mas esse doce sempre custou dois e noventa! – reclamou indignado
- Ah, é que esse é um sabor diferente. Acabamos de lançar.
- Devia ter ficado com o de sempre – reclamou, Lobato, enquanto colocava o docinho, já sem gosto, na sacola.

Polandesamente falando: será que a variedade de sabores é apenas uma estratégia de mercado para aumento das vendas? O brasileiro tem necessidade do diferente, do novo? Será que as variantes não seriam intrínsecas ao homem; já que este necessita de criatividade e diversificação? Seria uma questão cultural?
A mistura de raças e crenças pode talvez ser a explicação para uma característica perceptível que o diferencia do mundo: o brasileiro é altamente criativo. Essa capacidade, por conseqüência, é realizada também com os alimentos? Composições inovadoras de chefs , gastrônomos e cozinheiros que geram curiosidade fazem com que os brasileiros tenham interesse em descobrir, experimentar. É aí que entra a diversificação de sabor. Exemplo simples: só a esfiha de carne habitava as prateleiras das lanchonetes. De tempos em tempos, visando destaque meio à concorrência, o cozinheiro criou novo sabor, para que com isso seus costumeiros clientes pudessem realizar possível compra agregada e, por consequência, experimentar a diversificação intrínseca.
Levanto uma questão primordial: é o capitalismo que cria uma cultura ou é a cultura do brasileiro que move o capitalismo?
 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Ah, São Paulo




Ah, São Paulo. Você não me engana. Me deixa parada no caos quando promete andar mais que a luz. Me imerge no líquido do desgosto, sem o ar imaculado da sobrevivência. Você não me convence. Me diz pra ficar despreocupada com o metal na nuca, mas ele está à vista dos que menos enxergam.
Ah, São Paulo. Você me cansa. Fadiga do afinco de minhas pernas meio ao alinhamento com desconhecidas por um serviço público medíocre. Você me enerva. Agastada fico com tantos problemas estagnados aspirando solução.
Ah, São Paulo. Embora perto o desgoste, só quando distancio meus dias dos seus percebo o quanto o necessito. Nas terras longínquas do centro-oeste me perco no vazio do viver. Sem água, alimento, sem convívio ou tempo. Sem nada. Quando as indispensabilidades surgem, sua imponência reluz.
Ah, São Paulo. Se fosse Paulo não seria São. Se fosse outro não seria você. Se é você, é o que preciso.

Polandesamente falando: São Paulo, quando não estou em você, o meu eu não o é.

domingo, 7 de outubro de 2012